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Publicado em 28/01/2019

Terminar bem para começar melhor

?O fim das coisas é melhor que o seu início? (Ec 7.8).

Terminar bem para começar melhor

Terminar bem para começar melhor

Quando eu era criança meu avô possuía um aparelho “Moto Rádio”. Nas tardes de domingo eu tomava o rádio emprestado para ouvir os jogos do campeonato brasileiro. Um dos meus locutores favoritos era Fiori Gigliotti. Os seus bordões davam vida e poesia às partidas de futebol, e o que eu mais gostava era: ‘crepúsculo de jogo, torcida brasileira’, isso quando a partida estava chegando ao fim. Estamos no crepúsculo do ano de 2018. Logo mais poderemos dizer como o mesmo Fiori no apito final do árbitro: ‘Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo’.

2018 foi um ano tenso, tumultuado e bastante confuso no Brasil. A expressão “FAKE NEWS” entrou definitivamente para o nosso vocabulário e infelizmente passou a ser uma presença constante em nossas vidas. Também aprendemos que os fatos brutos não são mais levados em conta, mas, sim, a narrativa que damos a eles, dependendo da ‘verdade’ que desejamos apresentar.

2018 também foi o ano em que uma certa polarização ideológica e política aprofundou o fosso que divide a sociedade brasileira. Essa polarização desceu do mundo das ideias e se estabeleceu entre as relações antigas e que antes de 2018 sobreviviam até com certo bom humor a essas posições contrárias. Tudo não passava de questões de opinião e preferência.

Com a radicalização dos discursos essa polarização se intrometeu na vida cotidiana das pessoas, e essas relações foram quebradas. Amigos de ontem se tornaram inimigos de hoje. Parentes desde sempre se fizeram de estranhos e distantes. E o pior de tudo é que muitos cristãos contribuíram decisivamente para isso. Usaram e abusaram, até covardemente, das redes sociais e com atrevimento indescritível fizeram ataques à honra daqueles que deviam proteger, parentes, irmãos na fé e amigos com os quais o Senhor os havia abençoado.

Uma boa maneira de terminar o ano de 2018 é pedir a Deus que nos faça ver a realidade não mais pelas lentes dessas posições polarizadas e radicalizadas pela teimosia, mas que passemos a julgar retamente todas as coisas com o tríplice critério estabelecido por Deus para nos auxiliar:

1. A iluminação do Espírito Santo, que espanta as trevas da ignorância e santifica a nossa inteligência;
2. A Palavra de Deus, que abastece a nossa mente da verdade e informa à nossa inteligência para sabermos qual é a boa, perfeita e santa vontade do Altíssimo para cada ocasião;
3. O amor, que “não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade” (1 Co 13.4b-6).

Com base na iluminação do Espírito Santo, façamos um profundo exame de consciência. Peçamos como o salmista: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo Te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno” (Sl 139.23-34). E, quando tivermos discernido e flagrado em nós condutas que desagradam a Deus e, por extensão, ao próximo, é hora de dar o segundo passo, ir às Escrituras para saber o que concretamente devemos fazer.

Devemos ser instruídos pela Palavra de Deus conforme ensina Paulo: “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama o próximo tem cumprido a Lei. Pois estes mandamentos: ‘Não Adulterarás’, ‘Não Matarás’, ‘Não Furtarás’, ‘Não Cobiçarás’ e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: ‘Ame o próximo como a si mesmo’. O amor não pratica o mal contra o próximo” (Rm 13.8-10).

Assim, agora que sabemos como devemos agir, em conformidade com a Palavra de Deus, é hora do terceiro e fundamental passo: fazer um gesto concreto, indo ao encontro de todos aqueles que ferimos ou com quem ficamos estremecidos e de relações prejudicadas devido a “visões de mundo” distorcidas, caídas e inadequadas ao padrão das sãs Palavras. E mesmo aquilo em que estivermos cobertos de razão, se nos faltou a mansidão, a humildade e o amor, ainda que tenhamos agido em verdade, não deixou de ser pecaminoso na hora de exortar, corrigir e confrontar. Em qualquer um desses casos e em outros semelhantes, é dever do cristão dar o primeiro passo: “No que depender de vós, tende paz com todos” (Rm 12.17).

Antes de fazer votos para 2019, é preciso refazer as pontes trincadas ou quebradas ainda em 2018. Vale para o fim de ano o que vale para apenas uma noite: “Não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis ocasião ao maligno” (Ef 4.26).

:: Rev. Luiz Fernando dos Santos [Ultimato]



por Comunicação IBC

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